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Um sotaque é uma maneira particular de determinado locutor pronunciar determinados fonemas em um idioma ou grupo de palavras. É a variante própria de uma região, classe ou grupo social, etnia, sexo, idade ou indivíduo, em qualquer grupo linguístico, e pode-se caraterizar por alterações de ritmo, entonação, ênfase ou distinção fonêmica. É também o nome usado para a pronúncia imperfeita de um idioma falado por um estrangeiro.
Conheci um diretor de faculdade, que viveu seus primeiros anos de vida em uma das várias regiões brasileiras onde o sotaque é forte. Não lembro se ele era do norte do Paraná, interior paulista e de Minas Gerais. Esse diretor, apesar dos anos acadêmicos não conseguiu abandonar o sotaque. Para ele, blusa não era blusa e sim: brusa. Calma era carma e assim por diante. Os críticos de plantão certamente iriam tecer comentários negativos a respeito. Penso diferente. Tendo faculdade, especialização e mestrado e um currículo invejável, não creio que o mesmo fale assim por não saber a pronúncia correta, mas por valorizar sua história, suas raízes e como foi feita sua personalidade fonética. E creio, que por este mesmo motivo milhares de pessoas consideradas extremamente cultas não abandonam seus sotaques regionais. Mas, também acredito que isso demonstra como ainda é fraca a força do português. Suas infinitas complicações dificultam a correção de características simples com a substituição do “L” pelo “R”. Pode ser um idioma lindo, o mais belo do mundo. Mas os seus pretéritos do mais que perfeito do futuro do passado, não contribuem para que a grande massa fale e escreva com perfeição. Falo isso, porque mesmo apesar de usar a comunicação há quase 20 anos e valorizar muito a perfeita oratória, constantemente sou vítima dessas complicações, seja na hora de falar ou na hora de escrever. Num tempo, onde a escrita é mais necessária do que nunca (graças aos bate-papos, orkut, msn, computador), percebe-se como a burocracia está presente até no nosso idioma. Também acho lindo o português bem falado, mas nem por isso podemos deixar de discutir como torna-lo mais real em nosso cotidiano, caso contrário será um eterno idioma perfeito de livros de ortografia, português e na imaginação dos donos das cadeiras da Academia Brasileira de Letras, visto que nem esses conseguem usar o português mais que perfeito na hora da verdade, que é quando estamos falando, tirando a prosa do verso, cara a cara ou frente ao microfone ou mesmo aqui digitando essas palavras, já que num piscar de olhos será possível encontrar inúmeros erros de português aqui também. Mas, já que não sou formado em letras e sou adepto da praticidade, creio que o mais importante é ser entendido e ter dado o recado. Agora, não tenha dúvida que mesmo diante da dificuldade, quanto mais correto melhor.




16 May, 2008 - cleiton



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  • Comentários



Ola Cleiton.

Sou Priscila, paranaense la do norrrrrrrte do estado, com um sotaque lindo de morrerrrrrrrr....agora sim me dei conta de que é lindo o meu sotaque.

Parabéns pelo blog. Direto, conteudo interessante e uma liguagem facil de ser entendida.

Um abraço desde Madri.

Postado por: Priscila Lino - 21 Dec, 2008 - 03:40:00
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Salve Cleiton!! preciso em sua observação. o sotaque fica evidenciado quando se está longe de casa. Sou mineiro, e tenho meu jeitin da falar, mas ha dois anos no Paraná minha fala ja tem traço da região.. Agora tenho um dilema. Aqui, não tem como não notar na distinção da minha fala, e lá em BH o pessoal ja percebe claramente a influencia do sotaque Sulista no meu jeito de expressar.

Postado por: Daniel - 24 May, 2009 - 10:21:05
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Sou cuiabana/mato-grossense sim e com mto orgulho. Quando estava fazendo o meu curso de Mestrado na UFMT sofri discriminação de um Professor Doutor que me cortava nas apresentações orais de trabalhos acadêmicos. Não foi a única vez que senti prejudicada na minha autoestima. Quando passei a lecionar em uma Universidade Particular o corpo discente registrou em colegiado de curso que o sotaque cuiabano da Professora interferia negativamente no processo ensino aprendizagem na sala de aula. E, isso me atingiu diretamente naquele momento de início de carreira docência. Pensei em procurar ajuda profissional de fonoaudiólogos, odontologias, psicologia... Passados 6 anos, esta semana recebo novamente a notícia da parte da coordenação de curso de uma Faculdade Particular de que o corpo discente/calouros do curso de graduação teve uma primeira impressão péssima da Professora por causa do seu sotaque cuiabano. O que faço??? Já tenho idade pra aposentar, creio que chegou o momento. Mas, senti aliviada acessando/lendo este blog. Grata, encontrei ajuda para amenizar esse impacto em minha autoestima pessoal-profissional.

Postado por: Ady - 24 Feb, 2010 - 08:04:07
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